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29 de jun. de 2014

GASLIGHTING: Alguém está tentando fazer você enlouquecer?

Mais uma palavra para nosso Dicionário Feminista: GASLIGHTING

“De vez em quando eu penso em todas as vezes que você me ferrou, mas me fazia acreditar que era sempre algo que eu tinha feito”. Kimbra canta isso na música “Alguém que eu costumava conhecer” do Gotye. Na psicologia este fenômeno é chamado “Gaslighting”.
O Objetivo de quem promove este tipo de violência emocional é remover a credibilidade da parceira, atribuindo suas queixas e desconfianças a uma psicose, desta forma não só ela mesma vai crer que é louca, mas todos ao seu redor também. Gaslighting é usado para se referir a qualquer tentativa de fazer outra pessoa duvidar de seu senso de realidade.
O agressor levanta informações falsas com a intenção de causar duvida na vitima. A vitima passa a duvidar de suas próprias memórias, percepção e sanidade. As formas de apresentação desta agressão podem ser…
1-   A simples negação por um agressor que os incidentes abusivos anteriores já ocorreram;
2- A realização de acontecimentos bizarros por parte do agressor com a intenção de desorientar a vítima.
Gaslighting significa “fazer alguém enlouquecer”. E com esta tática de desmentir as memórias do outro, é bem fácil mesmo fazer isso, uma modalidade de culpabilização da vítima.
“Ele mentia patologicamente, parecia estar encenando com perfeição uma trama, e mesmo em situações que eu tinha certeza da verdade, enquanto ele tentava me convencer, eu chegava a acreditar nele e culpar-me por estar acusando ele, momento depois da conversa eu me sentia confusa, como se a minha verdade não fosse tão verdade, como se os fatos não provassem mais o que eu sabia”. (Eduarda)

“Enquanto eu o interpelava a respeito de uma situação de traição ele me disse que eu estava ficando doente de tanto ciúmes, que eu estava paranoica, que eu… estava enlouquecendo e precisava de ajuda psicológica urgentemente, comecei a achar que era verdade, que estava ficando louca. Não fosse alguns dias depois uma situação que comprovasse a traição dele, eu talvez estivesse ainda pensando que estava desequilibrada.”  (Eduarda)
Com certeza alguns leitores e leitoras ao ler este texto dirão: “Ah, mas isso não é especificamente uma violência machista”. Não, uma mulher pode fazer a mesma coisa, mas levando se em consideração a opressão machista sobre a mulher, quem esta em maior chance de ser vitima?
Em abril de 2012 surgiram denuncias de estupro contra militares nos Estados Unidos. Lembram se? Se não, podem ler aqui.
Uma das mulheres é Schroeder que relatou que um companheiro da Marinha a seguiu até o banheiro, em abril de 2002. Ela diz que, em seguida, ele deu um soco nela, arrancou as calças dela e a estuprou. Quando ela relatou o que aconteceu, a um oficial superior, ele rejeitou a alegação, dizendo: “Não venha reclamar para mim, se você teve sexo e mudou de ideia”.
Stephanie Schroeder, Anna Moore, Jenny McClendon e Panayiota Bertzikis foram às mulheres que levantaram as denuncias e para serem desacreditadas e com isso protegerem os homens que cometeram tal crime, foram diagnosticadas com transtorno de personalidade e consideradas inaptas para continuar no corpo de fuzileiros.
“Eu não sou louca, eu sou realmente normal.” (Schroeder)
“Lembro-me de pensar que isto este diagnóstico era um absurdo, completamente ridículo Como eu poderia ser emocionalmente instável? Estou perfeitamente lúcida, especialmente considerando tudo o que aconteceu”. (McClendon)

Percebam como esta prática é extremamente conveniente, desacreditar mulheres, catalogá-las através de diagnóstico de terem algum grau de psicose, e livrar se delas sem precisar ir a fundo às investigações e punição dos culpados, que “pasme”: São homens.
Robin Stern, autor de O Efeito Gaslight, diz que sinais de que você pode ser vitima de gaslighting incluem constantemente perguntar se a si mesmo “estou muito sensível?” Como relata Eduarda, “Todas as nossas brigas eu pensava comigo mesmo: ‘Devo estar de TPM.’ Por que no final de cada briga eu me culpava e achava que estava errada, ele sempre tinha razão”; Inventar desculpas para amigos e familiares para justificar os comportamentos do seu parceiro, outro sinal é a ausência da capacidade de tomar decisões sozinhas como relata Eduarda “Ele cuidava das finanças, meu salário ficava todo na mão dele, por que eu não acreditava que era capaz de gerir o meu próprio dinheiro, quando me empoderei e resolvi tomar de volta esta responsabilidade para mim ele fez chantagem dizendo que eu não confiava nele, foi muito difícil tomar de volta esta tarefa de gerir meu próprio salário, por que eu me sentia culpada, sentia que estava sendo ingrata com ele.”

Se você se reconhece nesta situação, procure ajuda de um profissional, Gaslighting é uma opressão poderosa, e não é fácil superá-la sozinha.
 *Eduarda é um nome fictício de uma seguidora que preferiu manter se anonima.
  1. Referência: Gass, G., & Nichols, W. (1988). Gaslighting: A síndrome marital Contemporânea Terapia de Família, 10 (1), 3-16 DOI: 10.1007/BF00922429
  2.  Rape victims say military labels them ‘crazy’ http://edition.cnn.com/2012/04/14/health/military-sexual-assaults-personality-disorder/index.html  
Origianal: http://feminismosemdemagogia.com.br/gaslighting-alguem-esta-tentando-fazer-voce-enlouquecer/

1 de nov. de 2011

Em SP, uma mulher é agredida a cada 7 minutos

Mas que triste realidade.
Este é um assunto dificíl de se conversar no dia a dia.
Não se acredita que isto acontece e principalmente com tanta frequencia, ainda há o cúmulo do machismo de dizer que a violência contra a mulher é culpa da mulher.
Só olhando de frente para esta questão com esta claridade dos números é que podemos refletir melhor e claro fazer alguma coisa significativa.
Déborah Gérbera

(O Estado de S. Paulo/iG/Folha.com) A cada dia do mês de setembro, 194 mulheres registraram boletim de ocorrência por lesão corporal no Estado de São Paulo. A cada hora, oito mulheres foram agredidas. Em todo o mês, foram 5.844 casos de violência contra a mulher registrados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) que, pela primeira vez, divulga os números da criminalidade contra as mulheres.
A divulgação atende à Lei Estadual nº 14.545, sancionada pelo governador Geraldo Alckmin em 14 de setembro, que determina a organização de um banco de dados sobre índices de violência contra a mulher. Esse tipo de crime já era contabilizado nas estatísticas mensais divulgadas pela secretaria, mas não era discriminado.
Segundo a SSP, os dados incluem crimes registrados nas 129 Delegacias de Defesa da Mullher e nos Distritos Policiais comuns.

Em setembro, foram registrados seis homicídios dolosos de mulheres em todo o Estado e 16 tentativas de homicídio. No mesmo mês foram 48 estupros, 30 estupros de vulnerável e quatro tentativas de estupro. O Estado registrou ainda 5.844 casos de lesão corporal contra mulheres e 5.769 casos de ameaça. Logo em seguida vêm calúnia, difamação e injúria, com 1.258 casos. Maus-tratos representaram 56 casos e houve ainda 21 invasões de domicílio.
"Quanto mais detalhadas forem as estatísticas, mais saberemos a respeito do que ocorre no Estado. É positivo que possamos saber o tipo de violência que ocorre contra a mulher para podermos atuar de forma mais precisa", afirma a delegada-geral adjunta, Ana Paula Batista Ramalho.
Comparando-se com o total de agressões no Estado, as mulheres representam 37% das vítimas. No geral, são casos que envolvem brigas e disputas domésticas com o marido ou companheiro.
Leia na íntegra:
Uma mulher apanha a cada sete minutos (O Estado de S. Paulo - 26/10/2011) Em setembro, 194 mulheres registraram agressão por dia em SP (iG - 25/10/2011) SP passa a divulgar dados de violência contra a mulher (Folha.com - 25/10/2011)

Via Agência Patrícia Galvão